OS DESCENDENTES

29 01 2012
Os Descendentes
FICHA TÉCNICA
Diretor: Alexander Payne
Elenco: George Clooney, Judy Greer, Shailene Woodley, Matthew Lillard, Beau Bridges, Robert Forster, Rob Huebel, Michael Ontkean, Mary Birdsong, Sonya Balmores, Amara Miller
Produção: Jim Burke, Alexander Payne, Jim Taylor
Roteiro: Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash, baseados na obra de Kaui Hart Hemmings
Fotografia: Phedon Papamichael
Duração: 117 min.
Ano: 2011
País: EUA
Gênero: Comédia Dramática

Sinopse

Matt King (George Clooney) é um marido indiferente e pai de duas meninas, que é forçado a reexaminar seu passado e abraçar seu futuro depois que sua esposa sofre um acidente de barco em Waikiki. O trágico acontecimento acaba por aproximar Matt das filhas, o que o ajuda na difícil decisão de vender um terreno herdado da família.

http://www.cineclick.com.br/filmes/ficha/nomefilme/os-descendentes/id/17632

__________________________________________________________________________________

ANÁLISE PSICOLÓGICA DO FILME –  OS DESCENDENTES

PSC. Eliane de Almeida – elianealmeida@brturbo.com.br

De forma escancarada, nua e crua, o espectador vai entrando em contato com um drama trágico, através de imagens fortes e diálogos que aos poucos revelam a incapacidade do ser humano para se vincular. Incapacidade de vínculo que transforma toda a dinâmica de relacionamento de uma família, em uma tragédia silenciosa, que bem pode ser reproduzida em milhões de outros lares também.

Uma família destroçada, onde cada membro transforma-se em uma ilha, parodiando o local onde a história foi filmada. O contraste entre as belezas naturais das ilhas e o mundo obscuro e feio da família é visível em cada cena.  As ilhas, vivenciadas por cada membro, revela o mundo à parte em que todos estão, porém, interligados a um tema comum, a destrutividade. Impossibilitados de estabelecerem vínculos que os levariam a desempenhar papeis, que os caracterizariam como pessoas dentro de uma família, a destrutividade, substituiu o alimento psíquico saudável do vínculo, o amor. Assim, construir papéis de mãe, pai, filhos e irmãos, que seria o de se esperar quando pessoas se juntam, nesta tarefa de constituir uma família, tornou-se um verdadeiro conflito e desafio para todos.

Famílias e papeis são vivenciados por pessoas, e os adultos desta família não necessariamente conseguiram em suas jornadas de vida este grande feito. Tornarem-se pessoas.  Matt e Elizabeth, o casal, embrenharam-se em suas incapacidades, fragilidades e fugas, alimentando o caráter destrutivo da relação e da família como um todo. Matt, protagonizado por George Clooney, encontra-se ensimesmado numa repetição ancestral dos padrões de condutas de seus antepassados. Na repetição não consegue conectar-se com o presente, onde as necessidades são outras e requerem novas reflexões e diálogos. Longe de si mesmo e omisso em seus vínculos como marido e pai, vive num mundo próprio e egoísta, onde o trabalho substitui o contato com o outro. Um mundo onde as pessoas que estão à sua volta passam a não existirem. Esta negação de si mesmo e do outro gera uma solidão, onde  mais do que vazio existencial, transmuta-se em desvinculação de sentimentos e auto-destruição.

Elizabeth, lutando contra sua impotência diante da realidade estabelecida, arma estratégias de fuga onde os desafios, a adrenalina dos esportes radicais, a bebida e a banalização do amor e sexo, fazem parte de seu cotidiano de isolamento e desistência da vida. Abandona seu papel de mãe, afastando-se das filhas e internando a mais velha num colégio distante em outra ilha. Está estabelecida a fragmentação da família. Omissão, desvinculação, distanciamento, desconhecimento, abandono, desproteção e ausência de amor.

Na adolescência, Alexandra, a filha mais velha, já tendo introjetado as condutas destrutivas da mãe, também coloca em andamento um estilo de vida onde a bebida e destruição afetiva e sexual povoam seus padrões de comportamento. O padrão destrutivo e da repetição já também se desenha na perdida e confusa filha menor, Scottie. Pelo abandono e falta de modelos positivos, se expressa com comportamentos inadequados e comunicação autodestrutiva.

Neste panorama desolador, resta aos espectadores, conectarem-se com as dores destes corações e almas partidas, através das expressões nos rostos dilacerados, de olhares profundamente vazios e corpos que se movimentam de forma pesada e dolorosa. Como traduzir todos os closes na face da morta em vida, Elizabeth, em seu leito mortuário. Uma expressão de morte em vida, onde a impotência choca nossos olhares sensíveis à sua tragédia. Impotência de uma luta sem possibilidades de final feliz, pois seus meios e ferramentas estavam completamente equivocados. A paralisação da vida em seu rosto poderia até, vir a ser um flash, daqueles que de vez em quando nos acomete quando algo de pavoroso nos atormenta. Mas a verdade crua é que não é um flash, é uma verdade definitiva e imutável. Daquelas que bem poderia traduzir nossas próprias dores em nossas vidas. O diretor insiste em nos confrontar com esta realidade algumas vezes, como que querendo reiterar uma mensagem macabra de sem saída. Cheque mate em todos. Impasse tenso em nossas mentes e corações entrelaçados com este drama trágico.

Somente diante do choque deste impasse com doses macabras, Matt deixa-se quebrar em suas muralhas defensivas e faz promessas, que revelam seu saber de antemão que seriam a solução para todo seu drama familiar, porém, nunca se atreveu a responsabilizar-se por elas. Nestes momentos de choque, tudo sai aos borbotões. Está bem, vamos conversar, vamos fazer coisas juntos, vamos viajar, vamos comprar seu desejado barco, vamos nos amar, vamos nos reencontrar, vamos ser marido e mulher, companheiros, pais, vamos facilitar a vida um do outro. No seu íntimo, ele sabia de todas as respostas, apenas fugiu de todas elas. Assim como todos nós fazemos, em nosso íntimo, sabemos de tudo que pode nos libertar e não nos conectamos de forma consciente, adulta e responsável com nossas próprias vidas.

Nossa deficiência em aprendermos a nos vincular, somente poderá ser superada em  momentos máximos, dramáticos e trágicos de tensão e dor? Não haveria outras formas menos dolorosas para este aprendizado? Até quando, teremos que saber de milhões de histórias como esta, onde, membros de uma família têm suas vidas sacrificadas, sua sanidade mental aviltada, infâncias abusadas ou onde doenças psíquicas e físicas substituem e ameaçam  a vida?

Nossa sociedade é pródiga em tapetes vermelhos e prêmios para grandes feitos. Não valorizamos o simples fenômeno de aprendermos sobre o que mais necessitamos. Conhecimento sobre si mesmo e sobre o outro com quem convivemos. Nem sequer paramos para nos questionarmos sobre quem somos e do que realmente precisamos. São repostas que não encontram brilho e respaldo no nosso mundo externo. Assim, aos trancos e barrancos, nas vias mais labirínticas de nossas existências  é que somos lançados subitamente para a solução de nossos problemas pessoais, familiares e existenciais. É, à beira destes precipícios que somos forçados a realizar funções psíquicas de aprendizado e evolução, que fugimos por toda uma vida.

Como achar saídas num final trágico? Como recomeçar depois de uma tragédia? Como seguir em frente, e viver sem repetir padrões? Como sair da beira do precipício e dos labirintos em que nos colocamos? Como aprender com a perda trágica de um ente querido depois de sua morte? Como prosseguir com uma família amputada?

O diretor, sugestivamente, nos coloca em sua cena final, de frente com a simplicidade de sermos apenas humanos. Um pai dentro de sua casa, num sofá, embrulhado num cobertor com suas duas filhas, comendo e assistindo a um documentário saudável na televisão. Uma cena que nos remete à concepção simples e natural do que de fato é uma família. Pessoas, que estão sendo elas mesmas, no caso, um pai que é pai, filhas que podem ser filhas, e  por isto mesmo podem desfrutar da companhia um do outro. Temos uma visão de intimidade, pessoas vinculadas, aquecidas e alimentadas pela simples presença de cada membro desta família.

Experiências de simplicidade, naturalidade, verdade, encontros, vínculos, quietude não são o suficiente para holofotes, tapetes vermelhos ou prêmio algum, porém é o básico e essencial para a proteção da vida, da sanidade mental e da saúde integral, das pessoas, famílias e sociedades.



A ÁRVORE DA VIDA

22 08 2011

A-Arvore-da-Vida-Poster-400x587

Título original: (The Tree of Life)

Lançamento: 2011 (EUA)

Direção: Terrence Malick

Atores: Brad Pitt, Sean Penn, Jessica Chastain, Fiona Shaw.

Duração: 138 min

Gênero: Drama

Ver treiler:  http://youtu.be/PlxZOOEHK4o

——————————————————————————————————————————————————————————

ANÁLISE  PSICOLÓGICA

A ÁRVORE DA VIDA

DIREÇÃO: TERRENCE MALIK

PSC. ELIANE DE ALMEIDA – CRP – 0832-01 elianealmeida@brturbo.com.br

Adentrar numa visão focalizada, a psicológica,  em um filme que pretende transmitir de forma experimental e sensorial a grandiosidade da existência da vida, pressupõe incorrer em limitações. Porém, algumas das verdades incontestáveis acerca da vida, são que ela é, limitada, transitória e dinâmica. Dentre as eternas inquietações existenciais da humanidade, existem perguntas que sempre pairaram e continuarão a pairar, em nosso universo interior. Desde, qual  é o sentido da vida? Até, de onde viemos e para onde iremos?

Usando artimanhas de natureza dual, que rege a existência humana, seu diretor arquiteta incursões em dicotomias entre o bem e o mal. Entre a natureza e o divino. Entre percepções diferenciadas sobre a origem da vida. Passando pelo Criacionismo, o Evolucionismo, a Natureza, o Big Bang. Oferecendo assim  um transe vivencial provocado pela beleza das imagens e todo o conteúdo real e simbólico das mesmas. Uma riqueza de percepções e elaborações subjetivas, que alimenta a alma e faz com que ninguém passe incólume pelo filme. Tudo isto no campo da percepção da origem e sentido da vida.

No simbólico, o convite é para uma viagem na grandeza do universo, na leveza da imensidão incomensurável da luz, que evoca o Divino, que procura a alma e o transcendente. Mais uma vez, a polarização e a dualidade, remete-nos, em oposição, às profundezas e cicatrizes da terra. Convulsionando em explosões, fogo, labaredas do instinto, transformando-se em sangue  correndo como em veias abertas, fecundando a terra. A água que transborda em força gigantesca lavando a crosta terrestre, acolhendo a vida e inebriando os sentidos. A leveza das energias que evocam a alma, contrastando com a intensidade das energias que emergem das profundezas dos instintos, pretendem, dimensionar por onde navegamos nós mortais. Limitados e pequenos diante de toda esta grandiosidade. Por isto mesmo, podemos concluir como é complicada a existência humana, nesta tarefa árdua de harmonizar toda a extensão dual destas grandiosas pulsões de energias polarizadas e complementares.

Porém, o diretor quis ir, mais além, destas experiências sensoriais e existenciais. Traduziu  a vida humana como ela é, dentro de nosso atual estágio evolutivo. Pequenos dentro das prisões de nossas limitações recorrentes. A história narrada acerca da família de Jack, é a história de outras tantas milhares de famílias, naquela ou em qualquer outra época, que vivem seu drama familiar, com reflexo nocivo direto na construção do indivíduo.

A trama familiar revela nossa parca evolução, onde ficam claríssimas nossas incapacidades como humanos. Não sabemos como nos comunicar. Não sabemos como expressar nossas emoções. Não aprendemos a vivenciar e desenvolver nossa capacidade inata para o amor. Não sabemos exercer de forma sábia nossos papeis parentais (sermos pais e mães), para contribuir de forma saudável na construção de um indivíduo também saudável e livre. Assim, ficamos relegados ao desejo fantasioso de uma libertação redentora, através de uma transcendência que nos chega como que por milagre. Sem que façamos nenhum esforço evolutivo, para atingir tal estágio tão desejado. Neste campo nascem os gurus, vendedores de ilusões, hoje disseminados em nosso cotidiano como uma grande praga, com um papel social tão deletério à humanidade.

Jack tem um pai frustrado, autoritário, que se vincula com  sua família não pelo amor, mas sim pelo medo, pela ameaça e pela projeção maciça em todos os seus membros, de sua sombra (seus instintos não evoluídos). Sua mãe retratada como a detentora da grandiosidade do amor incondicional, e do espelho divino na terra,  está muito longe desta façanha. Sua diminuta capacidade para o amor incondicional, faz dela uma mãe omissa, que desprotege sua prole. Uma mulher submissa, na qual, restam apenas realizações fantasiosas de imagens de liberdade e transcendência. Por isso mesmo, por sua incapacidade de amar incondicionalmente, que o mal (a sombra de seu pai), teve maior influência no psiquismo de Jack, que o introjetou e posteriormente o repetiu em sua vida.

Os filhos, dentre eles Jack, descobrem a vida através das mensagens subliminares das condutas viciadas e destrutivas de seus pais. Jack descobre o amor e o ódio. A fé e a desesperança. Descobre vivendo na pele, a intensidade vital entre o bem e o mal. Fantasia e quase realiza estas descobertas nos expressos desejos de matar seus pais, apesar de também amá-los. Dualidades vividas desde tenra idade, sem solução na vida adulta. Revela-se um adulto fora de seu tempo, inadaptado, numa eterna busca de si mesmo, através do resgate de sua criança ferida.

A solução encontrada pelo diretor, para estas buscas de seus personagens, foi a da fantasia da redenção para toda a humanidade, num lugar onde figuras humanas reencontram-se em harmonia e felicidade. Um paraíso construído à partir do ideal humano de transcendência. Um ideal sem fundamento. Pois para atingi-lo, precisaríamos passar pelo aprendizado do amor incondicional e pelo perdão. Como atingir tal evolução sem uma luta diuturna, para ultrapassar tantas limitações e incapacitações humanas que estão impregnadas em todos nós? Não existe transcendência sem um trabalho braçal evolutivo. É preciso cultuar a expansão da consciência para aumentar nosso poder de percepção. Isto não se processa como que por milagre, como o sugerido pelo filme. A liberdade transcendente tem que passar pelo resgate da liberdade individual, num mundo, onde de longe, isto é quase que praticamente impossível. Não sabemos, nem ao menos, trilhar caminhos para o auto-conhecimento. Nosso desejo de evolução recai invariavelmente para o mundo da fantasia. A fantasia de transcendência constitui-se em  nossa maior prisão evolutiva.

Ao tentar unir as dualidades e os opostos, que afinal se complementam, nosso diretor sugere um caminho de paraíso, onde humanos, sem possibilidades de acessar novas formas, inclusive físicas de evolução, vagueiam sem sentido de um lado para o outro. Uma noção de harmonia e transcendência diminuta, em relação à proposta grandiosa de compreensão do sentido da vida e da existência humana. Os caminhos para estas novas etapas evolutivas não estão disponíveis para a humanidade, no momento, nem no imaginário destes grandes artistas que realizaram o filme. Chegará um dia em que nos aproximaremos de forma mais verdadeira, destas grandes dádivas prometidas – a liberdade e a transcendência.



O DISCURSO DO REI

6 03 2011

images

título original: (The King’s Speech)

lançamento: 2010 (Inglaterra)

direção:Tom Hooper

atores:Colin Firth, Helena Bonham Carter, Geoffrey Rush, Michael Gambon.

duração: 118 min

gênero: Drama

Sinopse

Desde os 4 anos, George (Colin Firth) é gago. Este é um sério problema para um integrante da realiza britânica, que frequentemente precisa fazer discursos. George procurou diversos médicos, mas nenhum deles trouxe resultados eficazes. Quando sua esposa, Elizabeth (Helena Bonham Carter), o leva até Lionel Logue (Geoffrey Rush), um terapeuta de fala de método pouco convencional, George está desesperançoso. Lionel se coloca de igual para igual com George e atua também como seu psicólogo, de forma a tornar-se seu amigo. Seus exercícios e métodos fazem com que George adquira autoconfiança para cumprir o maior de seus desafios: assumir a coroa, após a abdicação de seu irmão David (Guy Pearce).

Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/o-discurso-do-rei/

—————————————————————————————

ANÁLISE  PSICOLÓGICA DO FILME – O DISCURSO DO REI

Atrás das paredes dos castelos reais, emergem histórias que retratam qualquer cidadão comum. A glamorosa máscara mítica dos EUS IDEALIZADOS da realeza, não consegue esconder os conflitos humanos inerentes à qualquer pobre mortal. A história infantil do rei GEORGE VI é igual à qualquer outra, de qualquer  família, em qualquer lugar do mundo. Como sempre,  em todas  as épocas e culturas, estas histórias estão recheadas de desencontros, abandonos, perdas, violência física e psíquica, manipulações, desqualificações, desproteções e toda sorte de expressão da incapacitação humana para o vínculo e para o amor.

Na dinâmica da família do pequeno GEORGE VI, aparece a prevalência de falta de vínculos. Uma mãe fria e ausente. Determinando uma brutal  desproteção  e desconhecimento de afetividade e intimidade. Um pai persecutório, agressivo  e manipulador, tecendo no seu precário vínculo com o filho, a teia do medo. No abandono, GEORGE VI e seus irmãos são entregues às babás.  Essas figuras femininas substituíram precariamente a figura materna. Essa inversão de papeis conturba a mente de qualquer criança, povoando-a de fantasias e sentimentos de ameaça. Como agravante à tudo isso GEORGE VI  sofre violência física e psíquica por parte de sua babá, que expressava de forma vingativa, pelo ódio social, sua preferência pelo irmão mais velho. Era sucessivamente punido com  agressiva discriminação e punição com falta de alimento. George VI  teve sua infância roubada e abusada.

Nesta atmosfera familiar tão insalubre para sua saúde física e mental, GEORGE VI não constituiu um SELF(DESENVOLVIMENTO DE SUAS CAPACIDADES INATAS E ÚNICAS) e muito menos um EGO forte (MECANISMOS DEFENSIVOS PARA LIDAR COM A REALIDADE),  que pudessem ajudar em seu desenvolvimento. Sua infância abusada, não lhe permitiu sequer a construção de defesas psíquicas razoavelmente eficientes. Assim sua CRIANÇA FERIDA, sem saída, perpetuou seus medos infantis, contaminando sua relação consigo mesmo, com as pessoas e o mundo real.

GEORGE VI  transforma-se em um adulto frágil estruturalmente e psiquicamente. Seus sintomas visíveis, distúrbios alimentares e a gagueira,  são apenas a ponta de um iceberg. Toda sua vida interior está comprometida. O medo da vida decorrente das não permissões para ser ele mesmo, povoa  e inunda sua mente. Aniquila seus sonhos e suas pretensões. O vínculo de amor de sua esposa não é suficiente para que ele se reestruture. Agarra-se então ao seu mito de realeza. Veste sua couraça de figura real. Esconde-se atrás das convenções e protocolos reais. Gênio irascível, usando de sua maior defesa psíquica, o ataque, vai ludibriando seus medos diante da vida.  Mesmo assim seus sintomas permanecem. Insistindo para serem vistos e qualificados de forma diferente.

Neste cenário inóspito e sem saída, encontra-se encurralado. Desespero e confusão tornam-se sua companhia diária. E então,  aparece um elemento diferente em toda esta trama. Um terapeuta da fala, sem formação acadêmica e com métodos nada ortodoxos. Suas regras,  são diferentes daquelas que a realeza está acostumada.  Sua forma de vínculo também. Na relação com GEORGE VI, quebra os protocolos e determina outra forma de vínculo, até então desconhecida para ele.

No desenrolar da relação entre eles, surge algo que de tão essencial à vida, deveria ser óbvio para toda a humanidade e também para GEORGE VI.  A VERDADE, como veículo facilitador dos diálogos e incentivador de proximidade e intimidade respeitosamente afetiva. Pois é, deveria ser fácil para toda a humanidade e para GEORGE VI, porém não é. Tudo isto é definitivamente desconhecido,  até então para ele em seus vínculos primários e familiares. Somos seres relacionais, dependemos do vínculo para a formação de nossa estrutura interior. Nosso SELF, ou EU INTERIOR. Necessitamos do outro  como fonte inspiradora e espelho de nós mesmos. O vínculo permeia nossa construção pessoal e nossa evolução na caminhada da vida. Vínculos frágeis e adoecidos, EU INTERIOR frágil e doente.

Então,  VÍNCULO, VERDADE, INTIMIDADE, RESPEITO e AFETIVIDADE, são ingredientes facilitadores para a construção de um EU INTERIOR saudável. Porém,  GEORGE VI  só conheceu estas vivências, através de um vínculo pouco provável na trajetória de sua vida. Vínculo com um plebeu muito longe de sua rotina de realeza. Quase que como por acaso, pois o acaso não existe, foi conduzido a estas experiências reconstrutoras. Reconstruiu sua fala e seu mundo interior. Enfrentou seus medos e suas chagas infantis, facilitado por diálogos verdadeiros , íntimos e reveladores. Aprendeu a cuidar desta relação construtiva, elegendo seu terapeuta como amigo de todas as horas até o fim de seus dias.

CARINHOSAMENTE.

PSC. ELIANE DE ALMEIDA

CRP-0832-01

E MAIL: elianealmeida@brturbo.com.br



Cisne Negro

12 02 2011

1291936769_black_swan_ver7

Ficha Técnica

título original: (Black Swan)

gênero:Suspense

lançamento: 2010 (EUA)

direção:Darren Aronofsky

atores:Natalie Portman(NINA) , Mila Kunis, Winona Ryder, Vincent Cassel.

roteiro: Andres Heinz e Mark Heyman, baseado em história de Andres Heinz

produção: Scott Franklin, Mike Medavoy, Arnold Messer e Brian Oliver

duração: 103 min

gênero: Suspense

música: Clint Mansell

fotografia: Matthew Libatique

direção de arte: David Stein

figurino: Amy Westcott

edição: Andrew Weisblum

efeitos especiais:Matt Kushner (coordenador de efeitos visuais)

Sinopse

Beth MacIntyre (Winona Ryder), a primeira bailarina de uma companhia, está prestes a se aposentar. O posto fica com Nina (Natalie Portman), mas ela possui sérios problemas interiores, especialmente com sua mãe (Barbara Hershey). Pressionada por Thomas Leroy (Vincent Cassel), um exigente diretor artístico, ela passa a enxergar uma concorrência desleal vindo de suas colegas, em especial Lilly (Mila Kunis).

http://www.adorocinema.com/filmes/cisne-negro/

——————————————————————————————————————————————————————-

Análise  Psicológica

Vivenciar poderia ser a palavra certa, para traduzir o impacto sensorial promovido pelas imagens e sons deste espetáculo.

Vivenciar nos lembra uma intimidade tal que nos confundimos com os personagens e seus significados.

Vivenciar de forma inebriante cada som e movimento em uníssono.  Reportando-nos  às nossas mais perturbadoras lembranças internas. Tornando vívido aquilo que queremos esconder, por não nos ser permitido.

Aqui estamos novamente de forma repetitiva e criativa deparando-nos com os conflitos básicos de nossa identidade. Somos seres duais. Estamos expostos e compelidos à dissociação psíquica e também física.  Sujeitos à invasão criminosa dos padrões condicionados, que nos são impostos pelas expectativas parentais .

Todos nós temos guardados no âmbito de nossas mentes e almas, alem, é claro na memória de cada uma de nossas células, todas estas dores ao longo deste processo dissociativo.  Esse processo dissociativo  remete-nos  à  conflitos de identidade. Assim, divididos e adoecidos, perdemos a capacidade inata para a integração. Nestes conflitos de identidade, para integrar nossas partes separadas, somos lançados à uma árdua luta integrativa.

Nina, nossa personagem que reflete-nos  como num espelho, revive para cada um de nós, nossa luta interna em prol  da integração.  Luta  para salvar um EU partido. Cindido pelas polarizações, simbolizadas pelo cisne branco e pelo cisne negro.

Novamente, as polarizações máximas separadas em pólos opostos e colocadas na tela com intensidade ambígua,  convida-nos como que num sonho quase que acordados a vivenciar eletrizados cada passo de Nina em seus prodigiosos : cisne branco e cisne negro. Cabe ao seu personagem A RAINHA DOS CISNES, a suprema vivência da integração. Porém a dança desta integração requer de sua dançarina a completude. A união dos dois cisnes, em todas as suas complexidades opostas. Nina, no entanto,  sofre as dores do seu EU partido.

O cisne branco já vem envolto numa fragilidade, pureza, ingenuidade e feminilidade sensível e afetiva.  Revela o bem, a luz. A Música e os  movimentos são de uma delicadeza profunda de alma. Uma presença tênue, diáfana, quase que imperceptível, como numa dança transcendente de nossas almas. Nossos olhos e corações dançam juntos aqueles movimentos em uníssono, com o que há de mais belo em nossos interiores.  Um êxtase envolvido por sensações e prazeres íntimos, quase que divinizados.

Esta é a faceta polarizada que lhe foi concedida por sua mãe. A frase “A doce e meiga NINA”, reforça no seu consciente toda a perversa maldição apreendida na infância, pelo seu inconsciente.  Sua mãe projeta sua parte negada e quebrada, o cisne branco em toda a sua dimensão, no EU de Nina. Esta por sua vez a introjeta de forma quase que maciça quebrando em uma dolorosa divisão, seu EU interior. Ela expressa este conflito que a adoece, com vários sintomas: bulimia;  síndrome de despersonalização e desrealização; estado regressivo; comportamento compulsivo com auto-mutilação. Ela se auto-mutila numa tentativa de sentir seu EU, pois este, encontra-se  escondido, exilado em seu íntimo, e fora de sua percepção sensorial. Há uma foto  de Nina vestida de cisne branco com o rosto partido, ilustrando este conflito de forma magistral. Ela parece uma boneca, desumanizada,  com o rosto de porcelana partido, explicitando visualmente o EU partido.

Nina, adoecida pela divisão, que promove um corte sangrento em sua identidade, encontra dificuldades para incorporar seu oposto, o cisne negro. Este oposto lhe foi negado, pois sua mãe como dona desta outra metade da identidade o vivencia na sua forma mais trágica e angustiante. Ela dá vida à seu lado sombra(os instintos mais sombrios da humanidade), tentando colocá-los em tela para personificá-los e vivenciá-los. Vivencia-o também, em seu papel de mãe, ao não permitir que sua filha cresça e a supere.

O cisne negro personifica o lado negro da humanidade. Aquele que todos nós não assumimos e, portanto, queremos ocultar. Ocultamos por temer e desconhecer sua força. Este lado instintivo revela o mal, a sombra. A expressão agressiva dos impulsos, a sexualidade aflorada, os prazeres da carne, a gratificação dos desejos e  a encarnação da força malévola. Temos tanta força neste lado que a tememos. Fugimos desta força como o diabo foge da cruz.

Está descrito o cenário em que Nina,  nossa personagem e espelho, irá travar sua luta sem igual em prol da integração. É uma luta de extremos. Tudo pode acontecer neste vácuo  entre o bem e o mal.  As imagens mostram de forma  poética esta luta: plumas pretas que surgem em meio à uma tela inundada de plumas brancas. O preto aparece de forma delicada, depois de forma mais presente, e numa dança de plumas elas entrelaçam-se.

Para Nina não será tão poética assim sua luta. Ela precisará mergulhar nas trevas. Mergulhar nos instintos. Mergulhar em sua força oculta e temida. Assim, terá  que experimentar os extremos. Precisará sair de seus rituais de auto-mutilação para vivências desconhecidas. É neste clima que Nina conhece  experiências extra sensoriais. Passa da realidade para o delírio. Seu chão não é mais contínuo e real. Sua mente projeta experiências polarizadas dos instintos. Precisa ir fundo, cada vez mais fundo, na sua capacidade de luta. Ir fundo nos seus instintos e experimentar o proibido. Sexo, drogas, competição astuta e brutal para defender seu papel(seu EU partido). Em seu camarim, testa sua força ao máximo ao projetar que para salvar-se teria que matar. E mata! E assim possuída de sua totalidade integrada pode sair, incorporar e  dançar o cisne negro. Uma dança que em sua magia contagiante nos inebria com a metamorfose de Nina em cisne negro. Uma experiência sensorial onde dançamos e incorporamos este cisne negro em nossa pele também, tal qual Nina. Tatuamos em nossa pele nossos instintos sombrios e deles nos revestimos. Agora somos sombra e luz. Agora somos  a força de um EU integrado tal como Nina.  Para ela, o preço desta integração foi sofrer realmente no físico uma dor dilacerante, o vidro em seu ventre. Seu sangue jorrando literalmente. No psíquico a dor da dissociação, da quebra do EU, que a levou quase à loucura.

Metamorfose e mudança implicam em ultrapassar limites.  Desafios do desconhecido, que pressupõem dor física e psíquica. Por isso, tememos lutar. Nina lutou por todos nós. Ela venceu. Venceu por todos nós. Assim ficamos com seu convite para as nossas próprias lutas. E o reforço do seu sucesso para o nosso sucesso. Incorporemos Nina em nós. Nós e Nina. Uma força única rumo à nossa luta integrativa e ao nosso  sucesso.

Carinhosamente,

Psc. Eliane de Almeida



TUDO PODE DAR CERTO

6 02 2011

images (1)

título original: (Whatever Works)

lançamento: 2009 (França, EUA)

direção:Woody Allen

atores:Larry David, Evan Rachel Wood, Ed Begley Jr., Henry Cavill.

duração: 92 min

gênero: Comédia

Sinopse

Boris Yellnikoff (Larry David) é um velho rabugento que tem o hábito de insultar seus alunos de xadrez. Ex-professor da Universidade de Columbia, ele considera ser o único capaz de compreender a insignificância das aspirações humanas e o caos do universo. Um dia, prestes a entrar em seu apartamento, Boris é abordado por Melodie St. Ann Celestine (Evan Rachel Wood), que lhe implora para entrar. Ele atende ao pedido, a contragosto. Percebendo sua fragilidade, Boris permite que ela fique no apartamento por alguns dias. Ela se instala e, com o passar do tempo, não aparenta ter planos de deixar o local. Até que um dia lhe diz que está interessada nele.

http://www.adorocinema.com/filmes/tudo-pode-dar-certo/

———————————————————————————————————–

UMA VISÃO PSICOLÓGICA DO FILME

Woody Allen faz uso de uma brincadeira trágico-cômica, permeando uma visão existencial, acerca da natureza dual da humanidade. É brincando com a comunicação entre os opostos, que apresenta os diálogos polarizados entre seus personagens.

Assim, apresenta os conflitos duais com espelhos de opostos entre seus personagens, destilando uma visão existencial voltada para o lado sombrio da humanidade. Boris, seu personagem principal, na verdade transformou-se num monstrengo psíquico, por não suportar as dores provenientes de suas percepções e conclusões acerca da condição humana.  Por carregar tantas deformações, (paranóico, obssessivo-compulsivo, pânico, hipocondria, depressão mórbida) se vê inviabilizado para existir. Um niilista contumaz, dono de uma filosofia de vida fixada no caos cético e inviável de uma possível teoria quântica.

Um desfile de personagens que abusam dos mecanismos de defesa da mente, com diálogos que saltam aos olhos, de forma caricata destes manejos. Boris, um cientista cosmopolita, usa a intelectualização para tentar manter seu mito de gênio, além da negação (de suas emoções e sexualidade) da forma mais primitiva, que acaba levando-o aos extremos de comportamentos suicidas (vítima sem saída). Usa do isolamento e do ataque verbal agressivo-destrutivo (pai crítico perseguidor), como defesas à burrice e ignorância humana.

Melodie o oposto do gênio, uma interiorana ingênua e sem cultura, usa e abusa da negação para não crescer. Além disso, em sua condição submissa e sem identidade própria, usa também o mecanismo de defesa confluência, repetindo as teorias de Boris. Sua mãe, também uma suburbana, que adota a sublimação (recalcando sua messalina com desejos sexuais “impuros e inconfessáveis), tornando-se uma dona de casa carola e sem expressão. Seu pai a pura encarnação do machista interiorano, no papel de comedor e traidor do mais puro sangue machista masculino, na verdade recalcando seus íntimos desejos sexuais reprimidos (homossexuais). Os amigos intelectualóides, expressam seus desejos ocultos de serem dominados na cama por fantasias regressivas sexuais (pai, mãe e filho em harmonia sexual resolvendo o Édipo). Assim não sustentando nenhuma pretensa supremacia intelectual.

Os diálogos entre os personagens em polarização oposta, são muitas vezes caricatos, densos e levam ao desencanto pela vida. Demonstram inquietantes questões existenciais e cumprem a função de evidenciar as dualidades opostas entre eles.

Boris (o gênio) x melodie (a burra)

Boris (o cético cientista) x (namorada vidente)

A mãe (carola) x a mãe (devassa)

O pai (machão e machista) x o pai e namorado (gay)

O cosmopolita x o interiorano

A sombra (instintos básicos, primitivos e menos evoluídos da humanidade)- X- a luz (dons, potencialidades essenciais e inatas da humanidade)

O término do filme com os conselhos “salve-se quem e como puder” de Boris para a platéia evidencia uma conclusão niilista e sem sentido da vida. Demarcando o acaso improvável e a sorte como os fatores primordiais e determinantes do curso e evolução da vida. Negando qualquer participação de livre escolha, ao preferir tantos determinismos e acasos.

No aspecto trágico, não há “nenhuma graça” em uma possível identificação com os lados sombrios e verdadeiros dos personagens e de toda a humanidade. E muito menos, não é nada risível a imposta supremacia niilista do personagem Boris.

No aspecto cômico, rir de nossas idiossincrasias e sombras estampadas nas inquietações e características dos personagens alivia. Mas também, faz pensar em saídas mais saudáveis para os impasses de vida e existenciais, dentro de cada um de nós.

Aqui da platéia, um recado para o desesperado Boris. Perceber, elaborar e aceitar a sombra que existe dentro de cada um, é um fator libertador, não necessariamente uma sentença de desesperança e morte. A aceitação da sombra abre caminhos de acesso à luz que também existe em nós. Cria possibilidades evolutivas, que nos remetem à libertação, ao crescimento e harmonia. Fomenta um processo de crescimento que nos liberta do caos e do determinismo psíquico.

No mais, penso que o belo, o estético, a criatividade, a capacidade inata para o amor e a diferença única que mora em cada um de nós, por si só, justifica a grande aventura de estarmos aqui, todos juntos e vivos.  Prontos para qualquer momento saltarmos para a criação, o novo e a libertação.

PSICÓLOGA ELIANE DE ALMEIDA

CRP – 0832-01

Email – elianealmeida@brturbo.com.br



Closer

20 01 2011

closer perto demais

Título original: Closer

Gênero: Drama

Ano de lançamento: 2004

Site oficial: http://www.pertodemais.com.br

Direção: Mike Nichols

Roteiro: Patrick Marber,  baseado em peça teatral de Patrick Marber

Atores: Natalie Portman , Jude Law , Clive Owen , Jaclynn Tiffany Brown , Steve Benham

Sinopse:

Anna (Julia Roberts) é uma fotógrafa bem sucedida, que se divorciou recentemente. Ela conhece e seduz Dan (Jude Law), um aspirante a romancista que ganha a vida escrevendo obituários, mas se casa com Larry (Clive Owen). Dan mantém um caso secreto com Anna mesmo após ela se casar e usa Alice (Natalie Portman), uma stripper, como musa inspiradora para ganhar confiança e tentar conquistar o amor de Anna.

http://www.adorocinema.com/filmes/perto-demais
_________________________________________________________________________________________________________________________________________________

ANÁLISE PSICOLÓGICA DO FILME CLOSER

PERTO DEMAIS

Por Eliane Almeida – Psicóloga

Quando vencemos nossos medos de contato interior e vínculo, e de forma mais ousada lançamos um olhar, perto demais, dirigido ao nosso mundo subjetivo, o que se avizinha pode chocar o observador mais incauto. Nesta trama, saltam aos olhos os mecanismos de fuga, ao contato consigo mesmo e com o outro de cada personagem. Conseqüentemente os danos aos vínculos consigo mesmo e aos interpessoais são os mais dramáticos. Os quatro personagens dois homens e duas mulheres, sofrem da pior solidão possível, a ausência de si mesmo em suas próprias vidas. No lugar do SELF (EU INTERIOR), cada um incorpora uma máscara, ou PERSONA, com a qual passa a jogar o jogo da vida. Neste jogo, cada PERSONA, assume seus papeis dentro do TRIÂNGULO DRAMÁTICO. Revelando para cada personagem expressões de fuga máxima ao contato consigo mesmo e com o outro. Então, desenrola-se uma expressão emocional  intensa e dolorosa para cada um deles, recheada de mentiras, disfarces, jogos, traições, sedução e manipulações ardilosas.

Ao interpretarem papeis dentro de suas próprias vidas, os personagens recriam situações dramáticas de dor e solidão. Assim perpetuam seus papeis de VÍTIMAS de si mesmos e dos outros. O fato de recriarem situações conhecidas de dor e solidão os remetem à uma tentativa atual de solução dos problemas recorrentes. Porém, o que ocorre no decorrer da trama, é que cada um mergulha fundo em cada papel, indo às últimas conseqüências em cada um deles.  Terminam sendo tragados pelas PERSONAS que se fortalecem, matando em golpes fatais o EU INTERIOR de cada um.  A solidão a dois e solidão pessoal dos personagens, tendo como vitoriosas suas PERSONAS, é escancarada num final dramático  e sem saída para todos.

Larry, um homem que perdeu o encanto pela vida, arrasta-se nela de forma desprezível, destilando sua raiva em disfarces de crítica cáustica, ironia, sarcasmo e competitividade.  Seu papel de PERSEGUIDOR torna-o cruel e manipulador. Manipula pelo medo para encobrir sua fragilidade e insegurança. Joga com sua vida e a de todos com frieza, tendo como única meta ganhar e  sobrepujar-se. Define-se como: “Sou um observador clínico do circo da vida.” Diagnostica a todos e os manipula em suas fragilidades e inseguranças. Usa de mentiras, traições e ciladas para vencer a qualquer custo. E vence. Vence no jogo da vida preso nas teias de seu inconsciente e perde  a si mesmo.

Daniel, um escritor sem sucesso, pretenso romântico. Manipula em seu papel de SALVADOR, com sedução, egoísmo e imaturidade emocional. Instável em seus sentimentos, atua com infidelidade escondendo até de si mesmo seus reais sentimentos. Pega “emprestado” a vida e os sentimentos alheios, diante de sua incapacidade para lidar com os seus. Torna-se vítima de si mesmo e de todos os outros personagens. Colhe ao final, aquilo que pretende implicitamente, ser abandonado e continuar irremediavelmente só.

Alice, uma jovem dramática, que tem no sexo e na sedução sua arma defensiva e pretenso controle contra o abandono e rejeição. Não aceita a fragilidade de suas defesas, e para isso adota a fuga; “desaparece” quando se vê sem saída. Escolhe aleatoriamente o personagem que irá substituir seu EU INTERIOR, num jogo sucessivo e sem saída. Em seu papel de VÍTIMA, veste uma couraça de firme e direta, quando de fato sua expressão e olhar denotam dor e angústia. Aparência infantilizada, frágil e dramaticamente intensa. Ao final perpetua seu jogo de solidão, voltando para seu país, recomeçando um novo jogo.

Anna, uma fotógrafa de sucesso, com uma vida adulta em andamento. Traz em sua bagagem vivencial um casamento acabado.  Foi trocada por uma mulher mais jovem. Expressão ausente e dissimulada, com traços de tristeza intensa, depressão. Atua com sedução, pretensamente adulta, porém vence uma VÍTIMA contumaz. Não consegue vincular-se com suas emoções de forma adulta. Encontra na divisão afetiva e na infidelidade, um motivo para sofrer e punir-se. Busca seu PERSEGUIDOR, e seu SALVADOR, para não sair de sua condição de VÍTIMA. Acaba nas garras do PERSEGUIDOR implacável, acomodando-se e perpetuando sua condição de eterna VÍTIMA, sofrendo e não se responsabilizando por si mesmo.

Os quatro personagens migram para seus papeis secundários em vários momentos. Porém, acabam nos papeis de sua preferência. Todos perdem neste jogo dramático, pois nenhum logrou entrar em conexão com seu SELF (EU INTERIOR). Este salto qualitativo na vida de cada um foi impossível, pois não conseguiram abandonar o conhecido. Agarraram-se dramaticamente nos seus condicionamentos e vícios internos. Com isto, a libertação interior passou bem ao largo para cada um dos personagens.

Para saber mais sobre o Triângulo Dramático clique no link ao lado – http://inspirar-se.com.br/?page_id=283



Alice no País das Maravilhas

15 05 2010

1258783916_aliceinwonderland

Titulo original: (Alice in Wonderland)

Lançamento: 2010 (EUA)

Direção: Tim Burton

Atores: Mia Wasikowska , Johnny Depp , Helena Bonham Carter , Crispin Glover , Anne Hathaway

duração: 108 min

gênero: Aventura

Sinopse:

Alice (Mia Wasikowska) é uma jovem de 17 anos que passa a seguir um coelho branco apressado, que sempre olha no relógio. Ela entra em um buraco que a leva ao País das Maravilhas, um local onde esteve há dez anos apesar de nada se lembrar dele. Lá ela é recepcionada pelo Chapeleiro Maluco (Johnny Depp) e passa a lidar com seres fantásticos e mágicos, além da ira da poderosa Rainha de Copas (Helena Bonham Carter).

http://www.adorocinema.com/filmes/alice-no-pais-das-maravilhas-1/

________________________________________________________________________________________________________________________________________________

Uma Possível Leitura Psicológica

Por  ELIANE DE ALMEIDA – Psicóloga

O filme é baseado na obra de Lexis Carrol

O simbolismo mágico contido nos personagens dos contos de fadas possui um poder inebriante em nossos psiquismos. Remete-nos aos nossos subterrâneos numa viagem única de valor inestimável. Uma alquímica mistura de imaginação e fantasia que traz em seu bojo, partes de um todo de nossa identidade, a ser restaurado e conquistado. Essa tarefa inusitada e necessária em nossas vidas é totalmente solitária, como a da nossa heroína. Potencialidades inatas de ALICE, como coragem, ousadia, curiosidade, sensibilidade perceptiva, astúcia e confiança em sua diferença, são ingredientes do tom alquímico, responsável pelo processo de transformação que nossa heroína vivencia. Ao final deste grandioso processo de crescimento, onde logrou integrar de forma harmoniosa, as  partes de seu todo, sai vitoriosa, independente, livre e diferente.  Assim sendo, pode colocar-se na vida com a sábia função de APRENDIZ.

ALICE CRIANÇA -  Alice criança surge com uma imagem etérea, frágil, próxima a de  um EXTRATERRESTRE, um tanto quanto fantasmagórica. Evidencia uma expressão cansada e com olheiras. Aqui está a representação de sua CRIANÇA FERIDA. Encontra-se já mergulhada no mundo inconsciente. Perturbada pelos “pesadelos”, que representam suas primeiras incursões ao seu inconsciente. Depara-se com personagens internos que não pode ainda decifrar. O gato que ri; o coelho vestido; a lagarta azul.

Perturba-se com a confusão ao ponto de sentir-se “maluca”. Encontra no seu pai biológico, o reforço na sua função PARENTAL POSITIVA     DE ORIENTAÇÃO INCONSCIENTE. Este envia mensagem de permissão positiva e acolhimento sábio, dos conteúdos estranhos de seu inconsciente  ainda indecifráveis. A frase: ( Você pode estar louca, lunática, maluca,mas os loucos são as melhores pessoas.); contem uma permissão de poder transformador incalculável, com repercussão vitalícia.

ALICE ADOLESCENTE – Imagem ainda etérea, cansada, frágil, porém, já demonstra algumas pontuações e força ADULTA. Com a morte do pai, encontra-se na companhia da mãe que faz a função PARENTAL DE ORIENTAÇÃO CONSCIENTE. A entrega do colar sela este acordo de Adaptação Consciente ao meio. Porém, ALICE recebe aí a tarefa de não sucumbir nesta Adaptação, de duas maneiras  negativas: submissa ou rebelde.

Entra no baile que a espera, já orquestrado com o Plano Argumental (Script de Vida) Social e Familiar acordado por todos, inclusive por sua mãe e irmã.  É recebida por sua pretensa sogra, com crítica PARENTAL CONSCIENTE NEGATIVA e rejeição severa.  Dançando distraída, expressa sua CRIANÇA LIVRE de forma ainda ingênua e desprotegida nas seguintes falas: “Imagino como seriam as mulheres vestidas de homens e os homens vestidos de mulheres.” “Estou imaginando como seria voar” . Recebe do pretenso noivo, que carrega em si toda a bagagem negativa dos MANDATOS SOCIAIS, já destroçado como indivíduo único, críticas negativas e rejeição à sua CRIANÇA LIVRE incauta.

No jogo social da fofoca, que controla e limita o indivíduo diferente, as gêmeas desferem seus golpes vingativos e invejosos, denunciando o PLANO ARGUMENTAL (SCRIPT DE VIDA) SOCIAL E FAMILIAR. Sua irmã aparece para ratificar e reforçar este plano, já que ele estava em pleno vapor em sua própria vida, dizendo de sua “felicidade” em cumpri-lo. “Felicidade”, em ocupar o milenar lugar destinado às mulheres em toda a história da humanidade. O lugar do ARGUMENTO BANAL, onde não vivem, apenas sobrevivem ocultas atrás da imagem do homem. Ocupando papeis muito aquém de suas reais possibilidades, SEM DIREITO À LIBERDADE E BRILHO PRÓPRIO.

ALICE então é convidada a comparecer ao coreto para receber o pedido de casamento. Ali de forma seca e lacônica recebe o pedido, provocando uma vivência de  impasse interno. Sua primeira fala é um amontoado de justificativas advindas das inadequações e não permissões do meio social. Mas, tudo isso não a convence. Alice pede um tempo e se deixa levar pelos sinais do inconsciente, que já se faziam presente no farfalhar das folhas. Logo em seguida já visualizando o COELHO-elo intuitivo para acesso ao inconsciente- que a chama e apressa apontando o relógio.  Descobre o cunhado “traidor”, e correndo para alcançá-lo, chega perto da grande árvore encontrando o buraco da toca do COELHO. Curiosa debruça-se sobre ele, que desmorona provocando sua “caída” ao inconsciente.

Sua “caída” revela todo o medo grandioso desta empreitada. Cabelos arrepiados e uma descida horripilante. Debate-se em sucessivos elementos do inconsciente. Tenta em vão  segurar-se, em meio à  cama, piano, pedras, madeiras, escuro, fundo interminável. É a sensação da queda sem controle no mundo inconsciente. Mundo este temido, desconhecido e insondável. Chega por fim ao fundo, porém ainda há mais outro fundo. Depara-se com um lugar alto, fechado com várias portas trancadas. Está numa armadilha,   sem saída dentro de si mesma. É o primeiro contato com o fato de estar absolutamente só, em seu próprio mundo simbólico.  Ali  tudo é novo e agora a tarefa de decifrar estes elementos e personagens do seu inconsciente é inadiável.

Nesta grandiosa  tarefa necessária de sua vida, tudo pode acontecer. Urge buscar saídas por todos os meios possíveis e inimagináveis. Sendo assim, acontece de tudo,  é revirada em todas as dimensões. Cresce, encolhe e descobre astutamente como resolver o enigma de sua libertação.  Enfim, descortina-se seu PAÍS INTERIOR. Um imenso horizonte a ser  desvendado.  Um mundo novo com elementos e personagens do mundo subterrâneo a serem conquistados.

Um grande conflito de identidade surge no início de sua caminhada. Será ela a verdadeira Alice? Este conflito é expresso pela mudança de tamanho. Cresce, estica, encolhe como que procurando seu “TAMANHO IDEAL”; “SEU EU IDEAL”. Quem poderá responder é aquela sua parte interna que representa a sabedoria, a LAGARTA AZUL. Sua tenacidade e capacidade de análise profunda, demonstra sensibilidade e conhecimento humano. É a manifestação de sua CRIANÇA DIVINA, aquela que tudo sabe e que tem poder restaurador e transformador. A LAGARTA AZUL,  revela então que Alice ainda  está “MENINA BURRA”. Ainda está longe de ser ela mesma. Sua luta por si mesma ainda nem haveria começado.

O GATO, sua parte felina, imortal, invejosa, esperta, má, irônica e ao mesmo tempo com tarefas que envolvem justiça e verdade  leva-a,  até ao CHAPELEIRO.

Seu encontro com o CHAPELEIRO, seu lado maluco, diferente, criativo e amorosamente irreverente, é conturbado. Sua magistral e gostosa caminhada por cima da mesa de chá, que está posta, revela sua excentricidade criativa ao quebrar o pré-estabelecido e o senso comum. Seus laços profundos se fazem de imediato, numa fusão imprescindível. Essa forte ligação determinará os passos decisivos de sua caminhada. Surge então a tarefa de desvendar o reino da RAINHA VERMELHA. A cor deste reino é vermelha, cor da paixão e do instinto. Esconde sua identidade e busca libertar o CHAPELEIRO. Ao desvendar sua parte “sombra” descobre a força do mal. Não gosta da arrogância, agressividade instintiva e autocracia desta força interior que também lhe pertence. A frase: “CORTEM-LHE A CABEÇA”,evidencia repetitivamente sua natureza sombria. Um reino de mentiras, sordidez e violência gratuita que não lhe agrada. Para sua libertação é preciso encontrar a ESPADA.

A ESPADA significará seu aporte de força, “MUITEZA”, um extraordinário instinto de luta e sobrevivência. Juntas formarão um conjunto de poder pessoal  invencível. Pois a tarefa que a espera, é grandiosa e este combate pertence somente à ela. ALICE, A ESPADA, O CHAPELEIRO, O COELHO E O GATO, agora unidos (esta união representa uma conquista de harmonização e força de partes em seu interior) irão desvendar o reino da RAINHA BRANCA. A RAINHA BRANCA, É O PURO E ETÉREO FEMININO, que fez votos de gentileza e delicadeza. Agora mais fortalecida pela união das partes internas conquistadas, ALICE entrega a ESPADA para a RAINHA BRANCA que a devolve à uma armadura. O reino MARMORIAL da RAINHA BRANCA representa o lado do bem, da luz. A cor de seu reino é a BRANCA, cor da pureza e harmonia transcendente. Instala-se então a necessária guerra entre os seus dois lados internos: a LUZ E A SOMBRA.

Porém para guerrear este bom combate interior, é preciso que haja uma decisão interna. Decisão esta que a colocará responsável por sua escolha, que poderá levá-la a ultrapassar limites pessoais extremos, como matar.  Nesta decisão consta dados muito importantes: esta é a sua luta, ninguém mais poderá realizá-la, e nela estará sozinha. Antes desta decisão ALICE consegue resolver seu conflito de identidade, voltando à seu tamanho natural. Veste então a armadura e empunha a espada, como uma grande guerreira, para guerrear seu bom combate. Seu adversário é o JAGUADARTE, o monstro predileto da RAINHA VERMELHA. Seu tamanho é muitas vezes maior que o de ALICE e seu instinto destrutivo é aterrador. Parece uma missão impossível. ALICE  precisa de força e astúcia para este combate. A astúcia busca no legado PARENTAL PATERNO desvendando seis coisas impossíveis e a força ao incorporar seu lado VERMELHO bradando “CORTEM-LHE A CABEÇA”, no momento de sua ação extrema de cortar a cabeça do monstro. Este ato de cortar a cabeça do monstro, e o afastamento da RAINHA VERMELHA para a MARGINÁLIA contêm o significado de domar seus instintos, mantê-los sob o seu desejo e controle.

Agora de posse dos seus instintos, é livre para escolher quem comandará seu reino interior. Sua escolha recai sobre a RAINHA BRANCA, lembrando que esta tem sob o seu comando os dois exércitos, o BRANCO e o VERMELHO. Diante de tamanha vitória, vale também a pena salientar a “DANÇA MALUCA” do CHAPELEIRO. É uma visão prazerosamente reforçadora de nossa diferença e caráter único. Seus pés orquestrando os passos malucos e sua cabeça girando vertiginosamente sobre o pescoço, lembra-nos criativamente, a extensão ilimitada de nossas possibilidades. Nesta trajetória, de processo e guerra interior, ALICE incorporou todos os seus personagens internos, decifrando-os e tornando-se dona de todos e cada um deles. Assim crescida e vitoriosa, ALICE encontra  a LAGARTA, já em processo de transmutação.  Esta em sua sabedoria interior informa-lhe que está quase pronta, quase crescida, muito perto de  transformar-se na verdadeira ALICE. Faltam ainda alguns passos a serem trilhados. ALICE, ciente disso,  despede-se de todos, informando que precisa voltar ao consciente, pois tem que responder a algumas perguntas em seu mundo real. Ao despedir-se da LAGARTA esta diz, que talvez haja um novo encontro,  em outra vida. Triste, o CHAPELEIRO pede para que ela fique, temendo que esta o esqueça. ALICE o tranqüiliza, pois, tem firmeza em suas conquistas internas. Na despedida, o CHAPELEIRO deseja para ALICE, em sussurros, “BOAS LONJURAS”, como que num pacto íntimo, intuitivo e inesquecível entre eles.

De volta ao seu mundo consciente, ALICE já crescida e ADULTA, começa sua tarefa de enfrentamento  e respostas a muitas perguntas. Diz não ao seu pretenso noivo; enfrenta o cunhado traidor; indica tratamento para a tia enlouquecida; tranqüiliza a mãe quanto ao seu DESTINO e chama o amigo do pai para uma conversa de negócios. Sai daquele baile livre, do terrível PLANO ARGUMENTAL BANAL construído para ela. Mas, não sem antes, dançar os passos malucos da dança do CHAPELEIRO, agora, definitivamente incorporado por ela. Nesta conversa de negócios demonstra sagacidade e astúcia. Faz sugestões  além mar, muito além daquelas que ouvira do legado PATERNO. É  nomeada “APRENDIZ” na companhia que fora de seu pai. Na verdade, sua função de “APRENDIZ” NA VIDA.

O PROCESSO DE TRANSMUTAÇÃO DE ALICE ocorre em minutos. Na vida real pode demorar anos e na maioria das vezes, lamentavelmente não ocorre.

Cena final, com uma ALICE encarnada, humana, crescida, livre, diferente, única e dona de seu DESTINO, embarcada para ir muito além mar. Possui em sua fisionomia, um aspecto de luminosidade e saudável brilho próprio. Porém não está só, aparece a LAGARTA em forma de borboleta azul, ensejando um processo de transmutação constante, na  nova vida e nos novos caminhos. Realiza-se o pacto entre ALICE E O CHAPELEIRO – “BOAS LONJURAS”.

Assim, diante de tão grandiosa conquista interior de nossa heroína, que também mora em cada um de nós, só me resta sempre, sempre e todo o sempre desejar a você: “BOAS LONJURAS.”



Avatar

26 01 2010

avatar-poster

ficha técnica:

  • título original:Avatar
  • gênero:Ficção Científica
  • duração:02 hs 46 min
  • ano de lançamento:2009
  • site oficial:http://www.avatarfilme.com.br/
  • estúdio:20th Century Fox Film Corporation / Giant Studios / Lightstorm Entertainment
  • distribuidora:20th Century Fox Film Corporation
  • direção: James Cameron
  • roteiro:James Cameron
  • produção:Jon Landau e James Cameron

sinopse:

Jake Sully (Sam Worthington) ficou paraplégico após um combate na Terra. Ele é selecionado para participar do programa Avatar em substituição ao seu irmão gêmeo, falecido. Jake viaja a Pandora, uma lua extraterrestre, onde encontra diversas e estranhas formas de vida. O local é também o lar dos Na’Vi, seres humanóides que, apesar de primitivos, possuem maior capacidade física que os humanos. Os Na’Vi têm três metros de altura, pele azulada e vivem em paz com a natureza de Pandora. Os humanos desejam explorar a lua, de forma a encontrar metais valiosos, o que faz com que os Na’Vi aperfeiçoem suas habilidades guerreiras. Como são incapazes de respirar o ar de Pandora, os humanos criam seres híbridos chamados de Avatar. Eles são controlados por seres humanos, através de uma tecnologia que permite que seus pensamentos sejam aplicados no corpo do Avatar. Desta forma Jake pode novamente voltar à ativa, com seu Avatar percorrendo as florestas de Pandora e liderando soldados. Até conhecer Neytiri (Zoe Saldana), uma feroz Na’Vi que conhece acidentalmente e que serve de tutora para sua ambientação na civilização alienígena.

http://www.adorocinema.com/filmes/avatar/

____________________________________________________________________________________________________________________________

Fui assistir o filme ” Avatar ” esses dias e achei muito interessante a diferença entre as culturas dos humanos (”o povo do céu”)  e dos nativos de Pandora, os chamados Na’vi,  Pandora no filme é uma das luas de Poliferno e o filme se passa em 2154 DC.
Enquanto os nativos vivem em completa harmonia com a natureza, os humanos só pensam em retirar o mineral “unobtanium” e devastar tudo pela frente, não se importando com nada (será que já não estamos assistindo este filme na realidade de nosso planeta?).
Os Na´vi são bem altos de cerca de 3 metros de altura e muito resistentes.
Mesmo sendo um roteiro fictício, o filme vem  demonstrar bem o conflito homem-natureza e o conflito homem-relacionamento, onde enquanto os nativos mantém uma liberdade junto a natureza e vivem harmoniosamente entre si, os humanos são manipulados e de certa forma escravos do sistema econômico perverso.
Enfim, é um filme que recomendo para ser visto além da aventura, pois é rico em lições.
E exatamente uma dessas lições me chamou a atenção, quando os nativos se cumprimentam e aceitam-se mutuamente como membros do povo, é quando eles falam ….”- eu te vejo!”
Esta expressão tem o sentido de integração e reconhecimento, é como se falasse, eu te reconheço como você é e te aceito assim.
Da mesma forma grande parte dos orientais se cumprimentam usando a famosa expressão ” Namastê!” – ou seja: …”-o deus que habita em mim saúda o deus que mora em você!” Um reconhecimento além das aparências, reconhecimento de essência mesmo.
Veio à memória um texto que havia lido de Peter Senge, e remexendo em meus papeis eu recuperei o texto em tradução livre, para compartilhar com vocês.
Então, amigos, amigas, mesmo a distância:
Namastê! Eu vejo você!
Paz, Harmonia e Sabedoria em sua vida!

Alexandre Minatel

Uma dica: assistam o filme em 3D – é muito melhor!

Te vejo:
“Entre as tribos do norte de (KawaZulu-)Natal, na África do Sul, a saudação mais comum, equivalente ao popular “olá”, é a expressão Sawu bona. Literalmente significa “Te vejo”. Sendo um membro da tribo, você poderia responder dizendo Sikhona, “Estou aqui”. A ordem da troca é importante. Até você me ver eu não existo. É como se, ao me ver, você me fizesse existir.

Esse significado, implícito na língua faz parte do espírito de ubuntu, uma disposição de espírito que prevalece entre os nativos da África abaixo do Saara. A palavra ubuntu provem do ditado popular Umuntu ungumuntu nagabuntu, que, do zulu, traduz literalmente como: “Uma pessoa é uma pessoa por causa de outras pessoas. se você cresce com essa perspectiva, sua identidade baseia-se no fato de que você é visto – que as pessoas em sua volta lhe respeitam e reconhecem como pessoa.

Durante os últimos anos na África do Sul, muitas empresas começaram a empregar gerentes que foram criados em regiões tribais. A ética ubuntu muitas vezes se choca sutilmente com a cultura dessas empresas. Num escritório, por exemplo, é perfeitamente normal passar por alguém no saguão e, enquanto distraído, não cumprimentá-lo. Sob a ética ubuntu isso seria pior do que um sinal de desrespeito indicaria que você achava que essa pessoa não existia. Não muito tempo atrás, um consultor interno que crescera num povoado rural, ficou visivelmente contrariado após uma reunião onde nada demais pareceu acontecer. Quando num projeto no qual ele havia tido um papel importante foi submetido a discussão, sua participação não foi mencionada ou reconhecida. Perguntando mais tarde porque isso o aborrecia tanto, ele respondeu: “Você não entende. Quando eles falaram acerca do projeto, eles não disseram meu nome. Eles não me tornaram uma pessoa…” Aspiramos ao respeito mútuo e abertura que estão arraigados no espírito de ubuntu. Como o livro de “notas do campo”, este volume deriva sua forma e seu significado da aspiração e do empenho das pessoas que estão lendo esta mensagem, as pessoas que estão trabalhando para construir organizações que aprendem. Poder-se-ia argumentar que invocamos nossos potenciais mútuos através da nossa disposição para ver a essência do outro.” (Peter Senge)




Bonecas Russas

28 10 2009

1244854674_bonecasrussasposter01_thumb

BONECAS RUSSAS

Um filme que trata da busca amorosa, um assunto inerente ao ser humano. A grande maioria dos pacientes que passam no meu divã traz como foco da análise O AMOR.. Seria esta a moral da história no filme? A busca incessante e infindável do amor? Quando achamos que aquele é o último tem sempre uma bonequinha dentro da outra para mostrar a continuidade, o inesperado, o novo. Normalmente observamos dois tipos de postura em relação ao amor, em uma delas o amor atual é vivido como se fosse o último e eterno, aquela coisa que transcende a vida, a grandeza do sentimento é tanta que achamos que não cabe nada além disso. Vive-se também como se fosse o primeiro, saboreando a novidade, o encantamento de todos os começos.

Xavier, o protagonista da história, é angustiado com o fato de escrever sobre amor, mas nunca viveu isso de forma verdadeira e duradoura. Como escrever sobre algo que não foi vivenciado?

Vou me concentrar em três pontos do filme:

1º – O SOCIAL

Xavier quer apresentar uma amiga para o avô como se fosse sua noiva, não gosta da idéia do avô morrer achando que o neto nunca teve um amor de verdade. Daqui extraímos a cobrança social, que aliada a nossa cobrança pessoal, gera uma grande angustia. A princípio a sociedade que se diz tão moderna cobra um namorado(a), depois o casamento, depois o primeiro filho e, quando este nem nasceu, pergunta-se quando virá o segundo. Muitos carregam e se angustiam com estes estereótipos sociais, tentam se moldar ao que é socialmente correto e apresentável. As cobranças sociais e pessoais se aliam gerando um monstro que quase nos engole quando analisamos nossos objetivos alcançados e, pior, os não alcançados. Neste momento do filme constatamos que a busca amorosa dele não era só pessoal, ele precisava de alguém para apresentar socialmente.

2º – O AMOR REAL

Xavier tem a oportunidade de viver um amor de verdade e tudo caminha bem, mas uma nova paixão é tentadora. Neste momento ele prioriza a fantasia, a ilusão, seu brinquedo, seu troféu, alguém tão belo que parecia ser irreal (e era), deixando para traz a princesa da realidade, de carne e osso. Experimentou, pela primeira vez, o amor e descobriu que com ele temos que lidar com os nossos desejos muitas vezes contraditórios, com a insatisfação diante da estabilidade, com a tentação da infidelidade. Como é difícil atingir esse amor que tanto almejamos e como é fácil perdê-lo. A angústia, que anteriormente era pela busca do amor, muda de foco, troca de roupa, mas está sempre ali, com ou sem amor, tirando nosso sossego, a nossa paz e tranqüilidade.

3º – AMANDO AS IMPERFEIÇÕES

Minha parte preferida do filme:

“-Você é um homem perfeito. Você é a melhor coisa que me aconteceu nos últimos 26 anos. Sei que você nem sempre é perfeito, que tem problemas, defeitos, imperfeições, mas quem não tem? Eu gosto dos seus problemas, me apaixonei por seus defeitos ele são fantásticos. Sei que as mulheres adoram homens bonitos, mas elas só vêem isso. Eu não sou assim. Não vejo só a beleza, gosto de outras coisas. Gosto do que não é perfeito. Eu sou assim.”

Na verdade amamos o pacote, não tem como separar os defeitos e qualidades e amar o que nos convém, amamos o ser por inteiro e o olhar muda quando se ama. As imperfeições tornam-se belas quando compreensíveis. O amor é uma plenitude, uma magia, entendemos o outro como ser humano que nós mesmo somos passíveis de erros e acertos. É tão difícil ser Deus, é tão difícil quando somos idolatrados porque o mínimo que façamos será perdido para sempre. Bom mesmo é ser humano e ser olhado com mais compaixão diante de nosso erros e imperfeições.

Precisamos amar e ser amado para nos sentirmos mais completos? Não será isso ilusório? Teremos sempre a sensação de incompletude, mas isso nos move, nos leva para frente, faz parte da nossa trajetória. Não deixem de apreciar o filme.

Por Leila Viana Queiroz

Psicanalista



9 – A Salvação

15 10 2009

cartaz9brasil

Gênero: Animação, Aventura, Fantasia e Ficção Científica
Duração: 79 min.
Origem: Estados Unidos
Estréia 09 de Outubro de 2009
Direção: Shane Acker
Roteiro: Pamela Pettler e Shane Acker
Produção: PlayArte
Censura: Livre
Ano: 2009

Sinopse

Quando o boneco 9 ganha vida, ele se encontra num mundo pós-apocalíptico em que os humanos foram dizimados. Por acaso, encontra uma pequena comunidade de outros como ele, que estão escondidos das terríveis máquinas que vagam pela Terra com a intenção de exterminá-los. Apesar de ser o novato do grupo, 9 convence os demais que ficar escondido não os levará a nada.

Eles devem tomar a ofensiva se quiserem sobreviver e, antes disso, precisam descobrir por que as máquinas querem destruí-los. Como eles saberão em breve, o futuro da civilização pode depender deles.

Fonte da sinopse e ficha técnica: http://cinema10.com.br/filme/9

Para ler mais: Animação “9 – A Salvação” é produzida por Tim Burton – O Globo – http://tinyurl.com/yblax8t

Leitura psicológica

Um filme de animação com diversão e profundidade. Com muitas mensagens e com muito material para reflexões.

O roteiro é de um futuro assolado por máquinas mortíferas que destroem a humanidade, neste filme, no entanto, há uma mensagem de esperança. A de que se unirmos as diferenças, dentro e fora de nós, criaremos força de renovação e vida. Um filme que pelo que tudo indica é baseado no Eneagrama ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Eneagrama ) que descreve os 9 tipos de personalidade.  Este sistema descreve a queda e a ascensão possível da consciência humana, segundo nove padrões.

Os nove bonecos sobreviventes foram criados a partir dos nove aspectos de seu criador, cada aspecto diferente e complementar aos outros. A máquina também foi criada a partir da distorção e limitações dos nove tipos, e representa a morte e a aniquilação. Vida e morte, construção e destruição, união e separação, dualidades explícitas no filme que aponta a escolha da integração e união como antídoto para o mal.

Há uma fala que se repete muitas vezes no filme “busque na fonte…”. Na fonte está a resposta – no criador, na alma, no espírito do homem.

Ao “pacificador”, o tipo 9, ficou a tarefa de agregar o grupo e levá-los à meta de salvar os integrantes e destruir o monstro. No entanto,   só com a união das qualidades de cada tipo, o 9 pode levar a cabo sua missão. E curiosamente o monstro era movido pela “vida” de cada tipo em distorção. A luta entre os 9 e a máquina lembra o mito do herói enfrentando seus dragões, simbolizando a luta e batalha interior pela supremacia do bem.

Um filme encantador que vale a pena ser visto.  O diretor é Tim Burton, um nome  já bastante conhecido,  dirigiu  “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, “A Noiva Cadáver” e  “O estranho mundo de Jack”, entre outros. Divirta-se e inspire-se.

Por Flávio Vervloet